NOSSAS ENTREVISTAS

Tema: Câncer de Mama

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Viva Mais Viva Melhor – Quando falamos sobre o câncer, ainda nos dias atuais, as pessoas têm muito medo de conversar sobre o assunto e até mesmo de citar o nome. Mas é muito importante deixar claro que é possível identificar, diagnosticar o problema de forma precoce e obter a cura. E a melhor maneira de prevenir é através da boa informação. Os cuidados vão desde a alimentação e mudanças de hábito até a realização de exames que podem diagnosticar a doença ainda em fase inicial. E para esclarecer melhor as nossas dúvidas, nós convidamos o Doutor Cesar Machado, que é especialista em Mastologia. Doutor, explicar o que é o câncer e por que ainda é tão difícil falar sobre a doença nos dias de hoje?

Cesar Machado – O câncer é uma forma de adoecer. Não é uma doença única. São nossas células, nós temos controle sobre elas no corpo e, por algum motivo, identifica-se hoje já vários fatores para isso, uma determinada célula, ela ocorre um erro em sua duplicação, no DNA, no material genético dessa célula. E nós perdemos o controle sobre essa célula, e ela passa a ter um comando próprio, uma vida própria, vai crescendo e causa todos esses problemas que o câncer causa. Historicamente e há não muito tempo atrás, nós não tínhamos muitos tratamentos efetivos. Então, o câncer era igual a tratamentos altamente agressivos, com muitos efeitos colaterais, mas sem chance de cura efetiva. Então, acho que o nome câncer, o peso que tem, veio justamente desse histórico recente, que graças a Deus a Medicina está evoluindo bastante e modificando esse cenário.

Viva Mais Viva Melhor – Segundo estimativas do câncer no Brasil, são diagnosticados cerca de um milhão e duzentos mil novos casos em todo o país, todos os anos. A que se deve esse aumento tão grande?

Cesar Machado – Temos dois fatores. Primeiro, o envelhecimento da população. De fato, quanto mais idosa a pessoa, mais implicações e maior é o risco de desenvolver o câncer. Porém, além disso, nós estamos evidenciando um aumento na frequência da doença. Então, nós temos tido mais casos de câncer em pessoas mais novas, mais jovens, independentemente dessa questão. Ou seja, nossa sociedade está convivendo com fatores de riscos que propiciam a formação do câncer, sem conseguir debelá-los.

Viva Mais Viva Melhor – Qual que é a importância de um diagnóstico feito na fase inicial da doença?

Cesar Machado – O diagnóstico inicial para o câncer é fundamental. Aumenta significativamente as chances de cura. Falando especificamente do câncer de mama, nós temos em torno de 95% de chance de cura, hoje em dia, num diagnóstico bem inicial, que é no caso de um invasor pequeno.

Viva Mais Viva Melhor – Quando a gente cita essa condição da cura do câncer, está relacionada ao diagnóstico precoce?

Cesar Machado – Sim, diretamente. Nós conseguimos controlar doenças mais avançadas, por exemplo, a diabete e a hipertensão. São doenças que não são curáveis, mas são controláveis. Hoje, em relação ao câncer, muitas vezes, a gente consegue até esse controle. Então, o paciente com metástase óssea, com a doença já avançada, porém não muito disseminada, nós conseguimos controlar essa doença; e o paciente consegue conviver mais cinco, dez, até vinte anos, fazendo quimioterapia e diferentes tratamentos. Mas, para falar em cura, o diagnóstico precoce, ele é mantido.

Viva Mais Viva Melhor – Qual que é a importância dos exames de rastreamento no câncer?

Cesar Machado – Quando se fala em rastreamento, a gente está falando justamente na busca desse diagnóstico precoce. Estamos selecionando uma população assintomática, ou seja, uma população sem nenhum sintoma, sem queixa, sem achar que está doente. E fazendo os exames nessa população para conseguir identificar a doença no estágio que a gente chama de subclínico, que é o estágio inicial que favorece a cura.

Viva Mais Viva Melhor – Há alguma relação entre alimentação e o câncer?

Cesar Machado – Sim. Através da alimentação, nós podemos prevenir ou, de certa forma, estimular ou aumentar a exposição aos fatores de riscos. Por exemplo, o câncer ele é uma doença pró inflamatória e nosso sistema imunológico, nossas células de controle de replicação, precisa estar ativo. Então, existem alimentos que têm uma ação anti-inflamatória que ajudam na apoptose, que é esse mecanismo de controle do organismo e das células defeituosas que estimula nosso sistema imunológico. Então, se nós adotamos esse estilo de alimentação, nós teremos uma alimentação que ajuda a prevenir o câncer. Porém, do outro lado, temos os agrotóxicos que aumentam as chances de câncer, nós temos os hormônios. Hoje, existem estudos em leite de vaca com aumento de dosagem hormonal. Existem os xenoestrógeno que, por exemplo, são os plásticos, substâncias que, de certa forma, mimetizam hormônios do corpo, se parecem com hormônios do corpo. Então, não existem estudos definitivos provocando o câncer de mama, porém têm estudos mostrando que determinados plásticos aquecidos aumentam a densidade da mama durante o exame da mamografia. Então, ou seja, de fato eles interferem no tecido glandular.  O que se entende muito é que apesar de precisar de mais estudos, esse estímulo seria um estímulo danoso para a mulher.

Viva Mais Viva Melhor – É possível falar em prevenção quando o assunto é câncer ou nós falamos do controle dos fatores de riscos e de um estilo de vida? O que fazer, por exemplo, para frear essa doença?

Cesar Machado – É questão de mudança de estilo de vida, ou seja, já identificamos fatores que aumentam a probabilidade da doença. Não são fatores determinantes, isolados, mas que de fato aumentam o risco. Então, portanto, se nós evitamos esses fatores, nós estamos evitando e conseguindo prevenir o câncer. Por exemplo, o tabagismo é um fator mais do que conhecido. Sobre o álcool, há estudos que mostram que pequenas doses já são capazes de aumentar o risco para câncer de mama. Atividade física de fato melhora nosso sistema imunológico - para quem pratica atividade física regularmente. Buscar alimentos

que melhorem o sistema imunológico é importante. Ter uma boa qualidade do sono também, já que temos estudos mostrando que a má qualidade do sono aumenta o risco de câncer de mama. Também temos estudos mostrando que baixos níveis de vitamina D aumentam o risco. Então, a exposição ao sol de maneira responsável é importante.  Diabete, também é uma doença associada a estilo de vida e comprovadamente aumenta o risco de câncer de mama, pois mulheres que são diabéticas não têm um controle do índice glicêmico de uma forma adequada.

Viva Mais Viva Melhor – A população associa muito o câncer ao envelhecimento. É correta essa informação? É de fato, o envelhecimento, o grande vilão? Ou é possível também que o câncer de mama afete crianças ou mesmo os homens?

Cesar Machado – O envelhecimento, de fato, ele está associado ao câncer, inclusive o câncer de mama. Ou seja, quanto mais idosa uma pessoa, mais aplicações celulares com defeitos. Porém, o estilo de vida, os cuidados que nós temos, eles devem ser cultivados desde criança. Então, apesar dos principais números de câncer de mama serem a partir dos 30 anos de idade e aumentarem progressivamente, com um pico maior em 60 e 65, desde crianças precisamos adotar um estilo de vida mais saudável, para evitar no envelhecimento o aparecimento do câncer.

Viva Mais Viva Melhor – Essa pergunta é de uma pessoa que não se identificou. Ela pergunta: Quem tem casos de câncer na família, o cuidado deve ser redobrado? Quando começar o rastreamento nesses casos?

Cesar Machado – 90% a 95% dos casos de câncer de mama são esporádicos, ou seja, não têm uma relação familiar. Então, só 5% a 10% têm. Existe um medo muito grande de mulheres que têm casos isolados de uma avó ou tia-avó… Mas, na verdade, essas mulheres não têm o risco de fato aumentado. O importante é que a mulher que tenha uma história familiar de câncer de mama preocure um especialista para que seja determinado a penetrância dessa história familiar sobre a mulher. A mulher que, de fato, tem uma mutação genética possui um risco aumentado, tem que ter um cuidado redobrado. Então, o rastreamento dela é diferenciado, começa mais cedo. E você acrescenta ressonância magnética das mamas, além da mamografia e do ultrassom; além de condutas que você pode ter nessas mulheres, como mastectomia redutora de risco – mastectomia profilática –, e a hormonioterapia, que é um dos tratamentos para câncer de mama que pode ser feito nessa mulher que tem um risco aumentado do ponto de vista genético para a doença.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os tipos de câncer que mais preocupam, os mais severos? E quais são os sinais em que as pessoas devem ficar sempre atentas?

Cesar Machado – Na mulher, de fato, o câncer de mama é o mais frequente que temos. Dos os homens, seria o de próstata. E os cuidados são: atenção ao rastreamento e cuidados com a mama. Por exemplo: uma mama com uma vermelhidão sem motivo, que chama de casca de laranja, ou seja, uma mama com enrugamento na pele; apalpamento, nódulos palpáveis. Porém, esses sinais só aparecem no caso avançado. Então, portanto, se você faz o rastreamento adequado e tem o diagnóstico precoce, você não vai ter esses sinais a serem detectados.