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Tema: Descolamento do Vítreo

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Viva Mais Viva Melhor – Problema pouco falado, o descolamento do vítreo é mais comum em pacientes acima dos 50 anos de idade e também em míopes. Quando o descolamento ocorre, é possível ser percebido, pois pode causar assim um aparecimento de manchas no campo da visão que vêm associados a flashes luminosos. Para conversar conosco sobre esse assunto, nós convidamos a Dra. Verônica Castro Lima, médica oftalmologista, especialista em retina e vítreo. Doutora, primeiramente, o que é vítreo e qual é a sua função?

Verônica Castro – O corpo vítreo é um gel transparente que ocupa quase toda a cavidade ocular e tem a sua composição quase inteiramente de água. O vítreo tem contato direto com a superfície interna da retina e tem funções químicas e físicas, mas a sua principal função é permitir a passagem dos raios luminosos que chegam até a retina.

Viva Mais Viva Melhor – E o que é descolamento do vítreo? Como o vítreo se descola?

Verônica Castro – O descolamento do vítreo ocorre quando ele se solta da parede ocular. À medida que nós envelhecemos, o vítreo sofre um processo de liquefação e de condensação das suas fibras de colágeno, o que culmina com a sua separação da retina. Essa separação é chamada de descolamento do vítreo, também conhecida como descolamento do vítreo posterior.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são as causas do descolamento do vítreo?

Verônica Castro – Os principais fatores relacionados ao descolamento do vítreo são: a idade acima dos 50 anos, a presença de miopia, trauma ocular, inflamação ocular e cirurgia de catarata.

Viva Mais Viva Melhor – Há algum de tipo de comportamento de risco que possa levar um paciente a desenvolver o descolamento do vítreo?

Verônica Castro – O único comportamento de risco que poderia levar ao aparecimento dessa condição é a presença de um trauma ocular. Fora isso, os outros fatores são intrínsecos ao próprio paciente. Então, nesse sentido, a gente não tem um comportamento de risco, apenas os casos de trauma.

Viva Mais Viva Melhor – Quais os sintomas do descolamento do vítreo?

Verônica Castro – Os pacientes podem notar, subitamente, a aparição de sombras móveis no campo de visão, e essas sombras podem ter tamanhos e formatos variados, como por exemplos: pontos, linhas, teias, moscas, com movimentos flutuantes, rápidos e que acompanham o movimento dos olhos. Essas sombras móveis são denominadas moscas volantes, ou no inglês, floaters. E além disso, os pacientes podem perceber também flashes de luz no campo visual periférico.

Viva Mais Viva Melhor – Esses sintomas sugerem urgência? O paciente deve fazer imediatamente uma intervenção nessa situação?

Verônica Castro – Na maior da parte das vezes, o descolamento do vítreo posterior não acarreta em alterações retinianas. Entretanto, em alguns casos, o vítreo pode tracionar a retina excessivamente e causar rasgos na retina, o que aumenta o risco de descolamento de retina. Dessa forma, os pacientes com sintomas novos de descolamento do vítreo, que são as moscas volantes e os flashes de luz, devem ser examinados o quanto antes para verificar o estado da retina, ou seja, se ela apresenta roturas ou se ela está colada. Quando ocorre o descolamento do vítreo posterior, o risco do desenvolvimento de roturas na retina é de aproximadamente 15%. Então nessa situação, elas devem ser tratadas o mais rápido possível com fotocoagulação a laser para diminuir o risco de descolamento de retina. Além disso, se houver piora dos sintomas, como por exemplo, o aparecimento de uma quantidade maior de floaters (moscas volantes), flashes luminosos e defeitos de campos de visão, o paciente deve procurar imediatamente um médico oftalmologista.

Viva Mais Viva Melhor – Algumas pessoas relatam o aparecimento de pontinhos pretos ou mesmo brancos na visão quando passam por períodos de estresse. Existe alguma relação desses pontinhos momentâneos com o descolamento do vítreo?

Verônica Castro – Não. Os pontinhos, as linhas, as teias causadas pelo descolamento do vítreo, em geral, eles não são momentâneos. E são percebidos a qualquer hora do dia ou da noite.

Viva mais Viva Melhor – E como se faz o diagnóstico do descolamento do vítreo?  Existem exames para se detectar o problema?

Verônica Castro – O diagnóstico ele é clínico e realizado através de exames de mapeamento de retina. Às vezes a gente utiliza lentes de contato para examinar toda a periferia da retina. O exame de ultrassonografia ocular pode ajudar em alguns casos de dúvida diagnóstica ou quando não se tem meios para realizar o exame clínico, como em casos de catarata, por exemplo.

Viva Mais Viva Melhor – Qual é a importância do diagnóstico precoce nesse caso do descolamento do vítreo?

Verônica Castro – Durante o exame clínico, é fundamental verificar a periferia da retina para avaliar a presença das roturas. E, casos elas estejam presentes, o paciente deve ser encaminhado para a fotocoagulação com urgência. Daí a importância do diagnóstico precoce, porque este pode evitar o desenvolvimento de descolamento de retina.

Viva Mais Viva Melhor – No caso de tratamento, quais são as opções disponíveis para o descolamento do vítreo?

Verônica Castro – Apesar do incômodo das moscas volantes, o descolamento do vítreo posterior geralmente é benigno e não necessita de tratamento. Só se opta por tratamento em condições especiais, como por exemplo quando o paciente tem uma sintomatologia muito intensa e que o impede de realizar suas atividades. Nesses casos, o tratamento é realizado através de cirurgia de vitrectomia via pars plana para remoção total do gel vítreo.

Viva Mais Viva Melhor – O descolamento do vítreo tem cura?

Verônica Castro – Não. Infelizmente não há cura para essa condição. Uma vez que ocorre o descolamento do vítreo, não há mais como reverter esse quadro. O que se pode fazer, como falado anteriormente, é tratar a sintomatologia.

Viva Mais Viva Melhor – Tem como se prevenir a situação do descolamento do vítreo? 

Verônica Castro – Infelizmente, na grande maioria dos casos, não há também como se prevenir o aparecimento do descolamento do vítreo posterior, já que é uma condição que é idade-dependente, exceto os casos de trauma ocular.