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Tema: Hepatite Medicamentosa

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Viva Mais Viva Melhor – Quando se fala em hepatite medicamentosa, logo as pessoas pensam em uma inflamação no fígado induzida apenas pelo consumo excessivo de remédios. Mas não são só os medicamentos que podem acarretar sérias lesões nesse órgão. Alguns comportamentos que parecem inofensivos podem também apresentar grandes riscos à saúde, especialmente quando o uso é contínuo. É como se fosse uma reação alérgica do fígado, manifestando-se em forma de uma hepatite. E para conversar conosco sobre esse assunto hoje, nós convidamos o médico especialista em hepatologia e gastroenterologista, Doutor André Lira. Doutor, o que é hepatite medicamentosa?

André Lyra – Hepatite medicamentosa é uma inflamação no fígado causada pelo uso de medicamentos, chás ou fitoterápicos. Habitualmente, o quadro é agudo, mas além dessa hepatite aguda, essa substâncias podem, às vezes, provocar hepatite fulminante – um quadro mais grave ainda. Quadros crônicos podem ocorrer, embora sejam menos comuns.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os sintomas, habitualmente, da hepatite medicamentosa?

André Lyra – Muitas vezes o quadro é assintomático e a elevação das enzimas do fígado é detectada durante a realização de exames de acompanhamento do paciente. Nos quadros mais graves, mais intensos, pode ocorrer icterícia, que é o olho amarelado, se assemelhando a hepatite viral, além de prurido. Em outras ocasiões podem surgir febre e racho cutâneo.

Viva Mais Viva Melhor – Qualquer pessoa pode desenvolver uma hepatite medicamentosa?

André Lyra – O desenvolvimento desse tipo de hepatite pode estar relacionado com a quantidade de medicamentos utilizada pelo indivíduo e com a sua toxicidade. Neste caso, o medicamento leva diretamente a células do fígado e pode ser desenvolvida por qualquer indivíduo exposto à medicação. Em outras situações, a hepatite é provocada por uma hipersensibilidade do sujeito a certo medicamento, como se fosse uma reação alérgica do fígado manifestada na forma de hepatite.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os exames que detectam a hepatite medicamentosa?

André Lyra – São exames de sangue, que avaliam as enzimas do fígado e incluem a dosagem da ALT, também conhecida como TGP; da AST, também conhecida como TGO e fosfatase alcalina. Depois dessa triagem inicial, outros exames mais específicos podem ser realizados ou não.

Viva Mais Viva Melhor – Qualquer medicamento pode levar à hepatite medicamentosa?

André Lyra – Mais de mil medicamentos e produtos fitoterápicos foram implicados no desenvolvimento da lesão hepática induzida por drogas e a lista continua a crescer. Teoricamente qualquer medicamento pode levar à hepatite medicamentosa, embora se saiba que alguns medicamentos têm mais chances do que outros de provocar essa alteração.

Viva Mais Viva Melhor – É correto afirmar que o consumo contínuo de alguns chás, suplementos e emagrecedores também podem levar as pessoas a desenvolver uma hepatite medicamentosa?

André Lyra – Sim. Sem dúvida. Existem vários chás e suplementos que sabidamente podem provocar a hepatite medicamentosa, incluindo casos graves. Habitualmente os chás provocam hepatite quando usados em excesso, em grande quantidade.

Viva Mais Viva Melhor – E aqueles analgésicos quase de estimação que as pessoas costumam usar habitualmente para combater dor de cabeça ou outros probleminhas mais simples, também podem apresentar riscos à saúde?

André Lyra – Sim. Particularmente se usados em excesso. O Paracetamol, também conhecido como acetaminofeno, por exemplo, quando utilizado em doses elevadas, pode provocar hepatite aguda e às vezes esses quadros podem ser graves.

Viva Mais Viva Melhor – Há algum outro comportamento de risco para a hepatite medicamentosa?

André Lyra – Eu diria que o uso de anabolizantes em academias e em diversas situações é um comportamento de grande risco para o surgimento de hepatite medicamentosa. E como seu uso não é por indicação médica, é um risco também desnecessário a que a própria pessoa se impõe. Em algumas ocasiões, o caso pode ser grave a ponto de levar a um transplante de fígado ou até mesmo à morte.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, nós selecionamos algumas perguntas que vieram através das redes sociais e a primeira pergunta é da Maria Rios, que é a seguinte: O uso de apenas um comprimido diário leva o paciente a perder o fígado por hepatite medicamentosa? Como saber se alguma droga vai ou não fazer mal para mim?

André Lyra – Maria, é muito raro a pessoa apresentar hepatite medicamentosa grave com a utilização de apenas um comprimido. Isso poderia ocorrer por reações idiossincráticas, relacionadas a uma reação alérgica. Não tem como saber previamente. Por isso que a recomendação é de se utilizar medicações quando clinicamente indicado.

Viva Mais Viva Melhor – Tem uma pergunta também da Katia Gomes, que é a seguinte: No caso da hepatite provocada por medicamento, se eu suspender o remédio que está provocando essa lesão no fígado, a doença irá desaparecer automaticamente?

André Lyra – Na maioria das vezes, a hepatite irá regredir com a suspensão da medicação. Como em Medicina nada é 100%, evidentemente que em alguns casos o quadro poderá continuar evoluindo mesmo após a retirada da droga. Habitualmente, esses são os casos mais graves.

Viva Mais Viva Melhor – O Ítalo Costa quer saber se a hepatite medicamentosa é contagiosa.

André Lyra – Não. Ela não é contagiosa. Não há um agente infeccioso participando do processo.

Viva Mais Viva Melhor – Ele quer saber também se pode ter hepatite medicamentosa mais de uma vez.

André Lyra – Sim. Isso é possível ocorrer. Em particular se você repetir a droga que provocou a hepatite medicamentosa previamente. Por isso que é proibitivo a pessoa reutilizar uma medicação que já provocou hepatite neste indivíduo.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor André, o que comer durante uma hepatite medicamentosa? É preciso ficar atento a dieta nesse momento?

André Lyra – Na verdade, a dieta não influencia na evolução de uma hepatite medicamentosa. Evidentemente, é de bom senso evitar exageros alimentares nesse período e aderir a uma dieta saudável. Porém, o mais importante de tudo é não usar bebida alcoólica. O álcool pode contribuir para um eventual agravamento da lesão.

Viva Mais Viva Melhor – Para finalizar, Doutor, o que é automedicação e quais são as suas consequências?

André Lyra – A automedicação é quando a pessoa utiliza remédios por conta própria, sem orientação médica. Se isso for realizado da forma incorreta, poderá proporcionar efeitos colaterais indesejáveis e desnecessários, que por vezes podem ser graves. E um desses efeitos é o que discutimos aqui, a hepatite medicamentosa. Portanto, evitem a automedicação.