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Tema: Impacto Femoroacetabular

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Uma das principais causas da artrose de quadril – o impacto femoroacetabular – é uma condição que se inicia de uma forma muito sutil com um leve desconforto na região. Muito comum em pessoas mais jovens, ocorre quando existe um contato anormal e desgaste entre a cabeça do fêmur e o encaixe da articulação do quadril. Porém, o tratamento precoce é fundamental para mudar a história natural da artrose. Para falar melhor sobre esse assunto, convidamos o médico ortopedista e traumatologista, especialista em quadril, Dr. Lauro Magalhães.

Viva Mais Viva Melhor – O que seria exatamente o impacto femoroacetabular e quais são os seus principais fatores de riscos?

Lauro Magalhães – O impacto femoroacetabular é quando o paciente tem alguma alteração anatômica ou da cabeça e colo do fêmur ou do acetábulo ou de ambos, e quando esse paciente faz alguma atividade tanto esportiva quanto recreativa ou até no seu dia a dia, como muita flexão do quadril e cruzar as pernas, que geram um impacto entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, causando-lhe dor.

Viva Mais Viva Melhor – É correto afirmar que há vários tipos de impacto femoroacetabular?

Lauro Magalhães – Sim. Na verdade, são três tipos. O tipo CAM, que é quando essa alteração anatômica é entre o colo e a cabeça do fêmur. O tipo PINCER, que é quando a alteração anatômica é no encaixe, no acetábulo. E o tipo MISTO, quando há duas alterações, que é o mais comum.

Viva Mais Viva Melhor – O que é que causa o impacto femoroacetabular? E quem que está mais vulnerável a desenvolver a patologia?

Lauro Magalhães – A causa é a junção do esforço de extremo de atos de movimento com a alteração anatômica que esse paciente tem. E as pessoas mais propensas são aqueles pacientes ou atletas que praticam esportes de impacto ou então esportes que tenham que fazer muito ato de movimento como ginastas, jogadores de futebol, alpinistas, entre outros.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os sintomas provocados pelo impacto femoroacetabular?

Lauro Magalhães – O sintoma principal é a dor localizada normalmente na região anterior do quadril. Essa dor também pode irradiar para o interior da coxa e podendo chegar até o joelho. E muitas vezes há uma diminuição desse ato de movimento devido a dor.

Viva Mais Viva Melhor – Essa dor provocada pela patologia pode ser confundida com outro tipo de doença? Existem exames específicos para identificar corretamente o problema?

Lauro Magalhães – Sim. Pode ser confundida com algumas outras patologias do quadril como a própria artrose, que é o desgaste das articulações, a osteonecrose do quadril ou algumas inflamações de tendões nesta região. Então, a gente tem, além do exame físico que é o principal, alguns exames de imagem como raio x, ressonância, que a gente consegue identificar e começar o tratamento dessa patologia.

Viva mais Viva Melhor – Qual é a importância do diagnóstico precoce nesses casos de impacto femoroacetabular?

Lauro Magalhães – Principal, na verdade, é a gente descobrir isso no início. Porque, primeiro, é preciso tirar a dor desse paciente. Segundo, para devolvê-lo ao esporte que ele estava acostumado a fazer. E além de tudo, é prevenir que chegue a uma artrose, que significa o desgaste da articulação. Então tem que fazer a prevenção para que não chegue nela.

Viva Mais Viva Melhor – Como que é feito o tratamento da doença?

Lauro Magalhães – Inicialmente, o tratamento é não-cirúrgico, à base de medicações analgésicas, fisioterapia com fortalecimento muscular, evitando sempre os extremos de alongamento. E na falha desse tratamento, aí a gente opta por tratamento cirúrgico.

Viva Mais Viva Melhor – E como é realizada a cirurgia para tratar o impacto femoroacetabular? Quando é que ela está mais indicada?

Lauro Magalhães – A indicação é justamente na falha do tratamento não cirúrgico. E ela pode ser feita ou de forma aberta ou por de via artroscópica. Então hoje a gente consegue, pela artroscópia, fazer o tratamento dessa patologia, retirando o PINCER, consertando o CAM, consertando eventuais lesões labrais. Então, de um modo minimamente invasivo, a gente consegue dar um bom tratamento a esse paciente ou atleta.

Viva Mais Viva Melhor – Uma pessoa diagnosticada com a patologia pode praticar esportes sem limitações após o tratamento adequado?

Lauro Magalhães – Sim. Esse é o nosso objetivo. Tirar a dor desse paciente ou atleta e devolvê-lo à atividade física que estava costumado a fazer.

Viva Mais Viva Melhor – Em quanto tempo o paciente volta a suas atividades diárias?

Lauro Magalhães – Então, na verdade, não há receita de bolo. Depende de muitos fatores, incluindo o tipo de lesão, a evolução dessa lesão, o tipo de tratamento. Mas em torno de dois a três meses a gente consegue devolver o paciente ao esporte plenamente.

Viva Mais Viva Melhor – Caso não seja tratado corretamente, o impacto femoroacetabular pode ser incapacitante? 

Lauro Magalhães – Com certeza. Se não for tratado corretamente ou se houver uma demora desse tratamento, esse impacto pode gerar uma artrose e pode sim levar a uma dor incapacitante deixando que ele não consiga fazer a atividade física e muitas vezes dificultando sua própria vida no dia a dia.

Viva Mais Viva Melhor – Tem como falar em prevenção quando o assunto é impacto femoroacetabular? 

Lauro Magalhães – Tem. Então, todo paciente, todo atleta tem, antes de iniciar uma atividade física, que fazer uma avaliação com um ortopedista, de preferência, para avaliar se ele tem essa alteração anatômica. O ortopedista pode guiá-lo a uma atividade que não tenha esse ato de movimento muito amplo e fazer as devidas orientações para caso ele queira fazer uma atividade como futebol, tênis, artes marciais, evitando sempre o ato de movimento muito amplo.

Viva Mais Viva Melhor – É possível realizar esse tratamento do impacto do femoroacetabular pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou convênios de saúde?

Lauro Magalhães – Sim. Hoje em dia na Bahia a gente consegue aqui no Hospital das Clínicas fazer esse tipo de tratamento. E em diversos outros hospitais da rede privada, por convênio, também é possível realizá-lo.